quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Finados ônibus paraibanos

Texto por Paulo Rafael Viana
Com colaborações de JC Barboza

Dia 2 de Novembro em todos os países de maioria cristã se comemora o Dia de Finados, ou Dia dos Fiéis Defuntos, e no México, Dia dos Mortos. Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. (Fonte da informação: Wikipédia em português). Nesse feriado, quem gosta de ônibus acaba ligando os 2 assuntos, e lembrando das sucatas, carcaças e desmanches dos ônibus que um dia circularam e serviram toda uma população local usuária de transporte público. Em todo o Brasil se multiplicam o número de cemitérios de ônibus, e na Paraíba não é diferente... nessa matéria especial, trazemos para você na íntegra vários ônibus abandonados e sucateados em nosso estado. Não deixem de acompanhar!!!


Os cemitérios de ônibus como ficaram conhecidos popularmente aumentam em quantidade por causa de fatores como frota impossibilitada de circular, empresa na falência, ônibus apreendidos por causa de multas ou a espera de leilão para pagar dívidas trabalhistas. Enquanto os problemas não são resolvidos, os ônibus abandonados acabam gerando problemas como criadouro de insetos em geral e ferrugem, e a população perde ônibus que poderiam circular até mesmo pelo interior como escolar, e os admiradores de ônibus ficam tristes vendo os ônibus se acabando com o efeito do tempo. Um grande cemitério de ônibus está localizado no Rio de Janeiro; a título de curiosidade em alguma ligação com a Paraíba, nas 2 fotos abaixo é possível ver o que sobrou do Grupo TAU (Transportes Amigos Unidos), o mesmo grupo que teve participação na Transportes Boa Viagem de João Pessoa antes do Grupo A. Candido assumir a Boa Viagem, atual Santa Maria. Nas fotos, podemos ver muitos Busscar Urbanuss, Marcopolo Viale, Ciferal Turquesa, que pertenceram às empresas do Grupo Tau (Amigos Unidos, Viação Oeste Ocidental, Santa Sofia, Mosa...).

Cemitério de ônibus no Rio de Janeiro, na antiga garagem da Ocidental (Grupo TAU)

Na Paraíba, há o conhecimento de sucatas abandonadas em Santa Rita, Campina Grande, João Pessoa, Bayeux, Junco do Seridó, dentre outros municípios. Em CG, há um ferro velho que adquire ônibus usados e aproveitam o que pode. Muitas relíquias estão por lá vendo o tempo passar. Vejam algumas das sucatas que se encontram por lá:

Nielson Diplomata 2.50 com chassi O-364 da Meredes-Benz, sucateado em Campina Grande

CAIO Gabriela, totalmente canibalizado

Busscar Urbanus I Volvo B58-E, em processo de canibalização

Esse Condor Urbano com chassi Mercedes-Benz OF-1113 que veremos mais abaixo é um verdadeiro guerreiro! Antes de sequer estar na Paraíba, ele pertenceu à Real Auto Ônibus do Rio de Janeiro pela década de 80, onde tinha o prefixo 41041. Foi fotografado na Paraíba ainda em circulação operando no setor de fretamento. Poucos meses depois, já estava em processo de canibalização, tendo sua frente retirada; e poucos meses depois disso restava apenas o chassi dele.

Esse não é o próprio que foi falado acima e tem mais fotos abaixo. Esse é apenas irmão de lote. Esse acima tem prefixo 41141, e o abaixo era o 41041.

Urbano Condor OF-1113, antes de virar sucata

O Condor com a frente retirada. Pouco tempo após essa foto, ele já não mais existia, restando apenas o esqueleto do chassi no local

A Aroeirense, que opera as linhas Campina Grande X Gado Bravo e Campina Grande X Aroeiras, também não fica de fora desse triste fato. A empresa possui algumas sucatas em sua própria garagem. A mais conhecida é a de um Monobloco Mercedes-Benz O-364, que já não possui mais os eixos, além de estar todo empoeirado e cercado de tralhas em geral.




A Expresso Guarabirense, foi extinta em 2006, e tinha linhas para o brejo e agreste paraibano assumidas após a falência pelas empresas Boa Viagem, Viação Rio Tinto, Bela Vista e Empresa Viação São José. Carcaças da Guarabirense também existem, e estão espalhadas principalmente por Campina Grande, Bayeux, e Parnamirim (no Rio Grande do Norte). Em Bayeux (grande João Pessoa), um ônibus que pertenceu à Guarabirense com o prefixo 05.23, modelo Busscar El Buss 360 e que tinha chassi Mercedes-Benz O-371RS, se acaba cada vez mais. Totalmente canibalizado, teve peças e detalhes roubados para outros ônibus. A pintura está praticamente intacta, porém se desgastando com o tempo. Por dentro como mostra a foto abaixo, as poltronas foram arrancadas e jogadas de forma aleatória por dentro do veículo.


Em Campina Grande não é diferente! Outras sucatas da Guarabirense, guardadas na garagem da Aroeirense, vão se acabando e ficando só as lembranças de quando a empresa operava. Ao lado, podemos ver 2 Nielson Diplomata 350 com chassi K112CL da Scania. Algumas peças deles foram usadas para integrar partes de outros ônibus. Mas o ônibus em si está inutilizado na garagem da Aroeirense, sem os eixos e sem o motor.



E em Parnamirim no Rio Grande do Norte, o que sobrou da Guarabirense também está presente. Por lá, são 2 sucatas registradas: 2 modelos da Busscar, sendo um Micruss (com chassi Volkswagen 9.150 OD) e o outro é um El Buss 340 (Mercedes-Benz OF-1620). Ambos passam pelo mesmo processo de canibalização que outras sucatas passam, ou seja, retirar suas peças para utilizar em outros ônibus que ainda circulam. Vejam nas 2 fotos abaixo, cada um deles em Parnamirim/RN:

2 sucatas da Expresso Guarabirense abandonadas em Parnamirim/RN. À esquerda, o El Buss 340; à direita, o Micruss; ambos da encarroçadora Busscar

No município de Junco do Seridó, localizado no interior da Paraíba com pouco mais de 205 KM de distância da capital paraibana, também existe um pequeno cemitério de ônibus. A quantidade por lá é menor, porém não menos tristes. Todos os 3 ônibus registrados não operam mais, passando seus momentos parado sem seus eixos, motor e outras peças em geral. O mais curioso é na imagem ao lado, onde vemos à esquerda da foto um ônibus mutante, sendo originalmente um CAIO Gabriela com frente modificada de Thamco Scorpion.



Voltando à grande João Pessoa, direto de Santa Rita, vemos um grande número de micro-ônibus sucateados abandonados. Na foto ao lado, uma fileira de Marcopolo Senior GV compõem um contraste daquilo que já foi um serviço de qualidade da Rodoviária Santa Rita; eram conhecidos como "Air-Bus", tinham ar-condicionado e não carregava passageiros em pé. Vale salientar que, entre o micro no primeiro plano e o último que também foi um Air-Bus da Santa Rita, é possível ver alguns que pertenceram à Expresso Paraibano (nos prefixos 0630, 0635, 0640 e 0685) e Viação São Francisco. Se encontram nos fundos da garagem da própria Rodoviária Santa Rita, ao lado da garagem da Expresso BrisaMar.


E falando de sucatas em João Pessoa, não poderíamos deixar de falar da empresa estatal Setusa. Aqui mostraremos sucatas dela no bairro do José Américo na própria capital e também de uma existente em Parnamirim/RN. Vale citar também a existência dos restos de um Monobloco M-Benz O-364 da Setusa entre as 3 Lagoas e a Feira de Oitizeiro na capital; por lá, resta apenas metade da carcaça e algumas portas que pertenceram a alguns ônibus da Setusa. No José Américo, mais exatamente num Depósito Judicial, são 2 sucatas existentes, do modelo Mercedes-Benz Monobloco O-371U, sendo uma dessas carcaças a que tinha o prefixo 05009 na Setusa e também outra carcaça é vista, porém impossibilitada de ver o prefixo.


Já em Parnamirim/RN, outro Monobloco O-371U foi registrado. Desde meados de 2009, essa carcaça se encontra no mesmo local. A lona do itinerário não deixa negar sua origem, deixando claro que a última linha que operou na Setusa foi a 601 - Bessa antes de sair da empresa. Outro ponto curioso é a placa dele; quando operava como Setusa ainda era do tempo de placa de 2 letras (exemplo AB-1234), e depois ainda passou por Pernambuco na época da migração de placas sendo "naturalizado" por lá, ou seja, ficou com a seqüência de placas de Pernambuco (KJD). Possivelmente depois de rodar em Pernambuco de alguma forma, foi parar em Parnamirim, sendo lá o fim de sua vida útil até então.

Um O-371U sucateado em Parnamirim; ex-Setusa. Detalhe para o itinerário, ainda exibindo 601 - Bessa

E para finalizar essa matéria especial, vamos com aquele que é um dos mais recentes a ganhar o triste título de sucata, depois de ter sido mais um grande guerreiro no transporte de passageiros do Brasil! Na foto ao lado, vemos um Ciferal Dinossauro com chassi O-355 da Mercedes-Benz da Rogetur Transporte e Turismo. Vendo-o desse jeito, nem é fácil acreditar que depois de tantos anos ele está sendo extinto a cada dia por impossibilidade de manutenção, pelo motivo de não se fabricar mais peças originais para ele.

Primeiramente na vida desse Dinossauro ele pertenceu à Viação Itapemirim, a maior empresa da Amérca Latina, e uma das responsáveis pelo desenvolvimento de grandes capitais no Brasil quando transportou milhares de nordestinos com destino à São Paulo, Rio de Janeiro, dentre outras capitais. Pela Itapemirim, ele tinha algum prefixo da série 100xx, pertencente a primeira família dos Tribus adaptados pela Itapemirim. Nessa foto abaixo, vemos um dos Dinossauro da Itapemirim, irmão desse da Rogetur.


Assim como o Setusa em Parnamirim citado acima, esse Dinossauro da Rogetur também passou por Pernambuco sendo emplacado por lá na época de migração de placa de 2 letras para 3 letras (padrão atual). Em Pernambuco, recebeu a placa KIR, e depois veio parar na Rogetur. De acordo com funcionários do setor de manutenção da própria Rogetur, o motivo da desativação e posterior desmanche dessa relíquia com seus 35 anos de idade foi a falta de peças para reposição. Abaixo, fotos de seus primeiros momentos de desmanche, inclusive uma foto interna:


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Por aqui finalizamos esse especial sobre Finados Ônibus Paraibanos. Agradecemos por acompanhar, e esperamos que não tenha sido cansativo e que tenha despertado interesse de todos :)

16 comentários:

  1. Postagem mega interessante, mas ao mesmo tempo idiginante, pois como é que pode, tanto ônibus jogado desse jeito nesse meio de mato sendo deteriorado pelo o tempo, mas isso tem nome é capitalismo, pois esses ônibus são antigos e não podem mais circular, mas se dessem uma boa reforma em cada um deles eles iriam circular normalmente dando o maio conforto ao usuário.

    No cemitériod o Rio de Janeiro, muitos desses coletivos delveriam ser reformados, mas qual empresa iria fazer um negôcio desses? O mais fácil pra ele seria desativa e ficar retirando peças para serem usados em ônibus convencional.

    Tenho registros de 2 cemitérios de Natal, um da Jardinese e outra da Viação Nordeste, acho um verdadeiro disperdicio.

    Mas vocês mais uma vez estão de parabéns por publicarem um especial como esse tão rico de informação e claro foto.

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  2. Essas fotos dos ônibus da guarabirense me trazem muitas lembranças, andei muito nesses ônibus inclusive no que aparece na foto,o 0523, e gostaria de saber o paradeiro dos mais novos que a empresa tinha como o 0544.

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    1. Amigo, não recordo o número de ordem dele hoje, mas o 0544, hoje pertence à Rio Tinto, o qual está muito bonito, e roda bem pouco, faz mais turismo, abraços!!!

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  3. O outro 0-371 da setusa é o 05019. abraço ,Elias.

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  4. Meu amigo, o modelo dinossauro é da CMA e não da Ciferal...

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  5. este roge é ciferal. cma só osoriginas da cometa

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  6. sou motorista carreteiro desde 95 mas odoro onibus

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  7. Explicando: O Ciferal Dinossauro se não me engano foi uma espécie de "mula" para o projeto do CMA Flecha Azul. Quando a Ciferal parou de produzir o Dinossauro, a Cometa comprou o projeto da Ciferal e o aperfeiçoou na fábrica da CMA, na matriz da Cometa. FOi a partir daí que surgiu o CMA Flecha Azul, que originalmente era fabricado com Duralumínio, material que era na época cerca de 50% mais leve que o alumínio comum, o que possibilitou a Cometa só utilizar a carroceria em chassis Scania, tanto K112Cl como também o K113CL, e teve ainda dois veículos dela que ganharam a nomenclatura de Flecha Azul VIII, esses últimos tinham prefixos respectivamente, 7500 e 7501, ambos encarroçados em Scania K124IB de 420cv de potência. Atualmente esses dois veículos foram vendidos. O Flecha Azul até hoje é considerado por motoristas, admiradores e talvez pela própria COmeta como O rei das estradas brasileiras, tanto que os donos de veículos que fazem o chamado "piratão" Brasil afora só compram o Flecha Azul pela resistência, baixo peso e alta capacidade dos bagageiros.

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  8. ressucite os busões antigos como a cma scania e ciferal dinossauro!

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  9. ressucite os busões monobloco mb O_355 e 355/6.

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  10. Tem casos que não dá de entender como deixam alguns ônibus serem sucateados desse jeito, quando estariam em plenas condições de rodar, ou, no caso daquele Dino de 3 eixos, eventualmente alguma adaptação/modernização não seria tão difícil de fazer para que pudesse driblar a falta de algumas peças de reposição e seguisse rodando.

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  11. Alguem ai tem fotos de algum monobloco da extinta eturb(maceio)?

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  12. muito sentido eu fico de ver aquele MB O-364 da Aroeirense, já sem "vida" e sem os eixos,
    isso pq eu andei muito nesses carros qdo era menino, pois esses realmente eram a minha cara
    e sou um eterno fã desses!!!!

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  13. Pelo menos os onibus urbanos nas grandes cidades eles tem um tempo de circulaçao, ex:
    sao paulo 5 anos

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  14. amigo onde fica essas sucatas em campina grande

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